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2018, o ano para não esquecer

2018, o ano para não esquecer

Anos desafiadores costumamos comodamente engavetar num canto empoeirado da memória, porque eles guardam o que queremos não lembrar e nos lembram o que buscamos esquecer.

2018 pode ter sido um ano assim para alguns, mas minha recomendação aqui é que façamos um outro tipo de movimento com nossos fantasmas e, em vez de segredá-los, pendurá-los num varal bem visível e onipresente. Isso porque temos muito que aprender com o que aconteceu em 2018 e o que viveremos daqui em diante terá muito a ver com ele, gostemos ou não.

Vou me ater a alguns fatos/momentos que considero game changers para o nosso mercado, no Brasil, e para toda a indústria mundial em que atuamos.

Facebook foi envolvido em escândalo internacional de vazamento e falta de controle de dados. Mark Zukerberg teve que depor diante de um Congresso estupidamente despreparado para entrevistá-lo, porque não tem a menor ideia do impacto de operações como Google e Facebook em nossas vidas. Na vida do Planeta.

As indústrias de trilhões de dólares, que desconhecíamos até 2018, como Amazon e Apple, maiores do que a maior parte dos países do mundo, estabeleceram um patamar de ocupação mercadológica e econômica desconhecidos para nós até este ano. Isso terá um impacto no mundo dos negócios que nem o Congresso norte-americano, nem Zukerberg, nem Tim Cook, nem Jeff Bezos, nem nenhum de nós, tem a puta da ideia qual será.

2018, o ano em que mamutes tecnológicos passaram a dominar um volume invasivo de dados como nunca imaginaram dominar e se tornaram empresas de trilhões. E isso muda todo o Capitalismo daqui para frente.

2018 foi também o ano que a mídia programática virou crime. Você acompanhou. Os anunciantes contrataram empresas de investigação policial para tratar do caso como ele merece ser tratado: um escândalo tipo Lava Jato global em nossa indústria. Culpados: todos. Agências, anunciantes, publishers e intermediários. Todo mundo tem culpa nesse cartório e todos foram assustadoramente inescrupulosos e negligentes com algo tão sério.

2018, o ano em que toda a nossa indústria, globalmente, cometeu crime digital, cyber crime, contra si mesma e contra os usuários e consumidores. Um marco para se envergonhar.

2018 foi também o ano em que vimos com maior clareza como essas empresas deixaram de ser empresas para serem plataformas globais de negócios, não importando mais o setor, já que são maiores do que países inteiros, quem diria de setores específicos de atuação.

O Google está lançando seu serviço de aplicativos de carros, para concorrer com Uber. Amazon tornou-se concorrente direto de Google e Facebook como player de mídia. Telecons viraram publishers comprando operações de conteúdo e mídia como nunca em sua vida.

2018, o ano em que ficou mais claro do que nunca que não existem mais silos e setores econômicos. Existem negócios. Que podem ser tocados e ocupados por quem quer que seja que tenha porte o poder econômico para tanto.

2018 foi o ano de consolidação das fake news como dinâmica, método e prática do mal digital feito notícia de mentira. Para todos os lados e para todas as causas, provando de uma vez por todas e de forma globalmente pública e indiscutível que o ser humano não tem limites.

2018 foi o ano em que nos vimos nús na web, nossa alma e nosso caráter. Ou nossa falta de.

Também este ano como nunca antes, acompanhamos a queda no valor das ações dos grandes grupos de comunicação, um número inédito de fusões na indústria e também a redução de marcas de agências de propaganda. De outro lado, vimos o aumento no apetite das consultorias sobre nosso mercado (Accenture é já um grande player de mídia no Brasil e está em vias de comprar a MDC, se é que já não comprou quando este artigo tiver sido publicado). Esses são todos fatos de alta relevância para nossa indústria.

Vejo, contraditoriamente ao que se possa inferir do cenário, que as agências de propaganda podem ter um futuro brilhante pela frente. Mas só para aquelas que deixarem de ser manés e enxergarem criativamente a oportunidade gigante que está escancarada a sua frente, que é a de serem mais criativas do que nunca, fazendo o que sabem ser como nenhuma outra empresa sabe fazer, aplicando sua criatividade na solução de problemas reais de negócios de seus clientes.

2018, o ano em que os grandes conglomerados de agências se reciclaram como nunca em sua história. E isso vai determinar o seu destino e de toda a nossa indústria daqui para a frente.

A Abril entrou em RJ e não deve sair dela de forma alguma como era antes. A emblemática maior editoria da América Latina por décadas, que moldou gerações e gerações de jornalistas e profissionais do nosso mercado, pode de fato seguir atuante, mas o impacto do que viveu em 2018 reverberará para sempre em sua história futura, seja ela qual for.

Sinal evidente de que a mídia impressa não é mais a mesma e de que uma página (várias páginas, no caso da Abril) foi definitivamente virada.

2018, o ano em que a Abril se foi. Parte relevante da história da mídia tradicional foi com ela.

O upside disso tudo é que o jornalismo de qualidade provou-se, em 2018, inestimável. O Brasil aprovou este ano a sua Lei Geral de Proteção de Dados, um passo definitivo contra a falta de caráter de quem lida com nossos dados como se fossem seus. A diversidade deixou de ser marketing vazio e fake para marqueteiros malandros e tornou-se pilar das marcas de verdade, como nunca antes.

Sou otimista diante do nosso futuro e os aprendizados, alguns duros, de 2018, nos prepararão para sermos ainda mais maduros e conscientes das transformações pelas quais passamos.

Que venha 2019 e todos os demais anos à frente

PS.: 2018 é o ano para não esquecer porque é também o ano dos 40 anos do Meio & Mensagem. E isso é inesquecível.

Fonte: Proxxima

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