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Plataformas apostam no monitoramento do tempo online

Plataformas apostam no monitoramento do tempo online

O tempo é um dos ativos mais importantes para as escolhas digitais dos usuários, que cada vez mais querem que seu tempo online seja bem aproveitado. Empresas de tecnologia historicamente construíram seus produtos e interfaces de forma a reter as pessoas em suas plataformas durante o maior período possível, mas agora começam a pensar em ferramentas para dar ao usuário maior controle sobre sua experiência digital.

Na semana passada, Instagram e Facebook implementaram à suas interfaces um painel que mostra os minutos e horas gastos no aplicativo nos últimos sete dias, além de um lembrete diário personalizado que envia um alerta quando é excedido o tempo pré-estabelecido e que o usuário considera adequado online.

Nova interface do Instagram permite estimular um tempo máximo a ser gasto no aplicativo. Foto: Divulgação

Já a atualização do sistema operacional da Apple, o iOS 12, lançada em junho, permite aos usuários do iPhone restringir as notificações durante um período de tempo pré-determinado, além de acessar um relatório semanal com a média de tempo gasto por aplicativo e por categorias de plataformas – como redes sociais, entretenimento ou produtividade.

Para Michel Alcoforado, antropólogo e sócio da consultoria Consumoteca, lançamentos como estes refletem uma tendência global de metrificação da vida digital. “Ninguém mais quer perder tempo, as pessoas estão sempre preocupadas se estão tirando algum proveito de todas atividades e tentando quantificar o ‘ROI’ de todas as suas ações digitais. Na indústria de tecnologia, isto fica claro com o crescimento de apps de produtividade”, avalia o especialista.

Além das ferramentas embarcadas em redes sociais e aparelhos celulares, aplicações como Google Tasks, Trello e Evernote também surfam na onda do monitoramento sobre a atividade online.

Rodrigo Helcer, CEO da plataforma de gestão de mídias sociais Stilingue, acredita que os lançamentos de Instagram e Facebook são uma resposta de grandes players para regular alguns dos efeitos nocivos da hiperconectividade. “Em um momento de descentralização de conhecimento e poder tão agressivo como o que vivemos, acredito que as plataformas já estão antecipando um cuidado que cabe a elas, antes que a ausência deste cuidado se torne mais uma crise corporativa para elas”, avalia.

De acordo com o relatório 2018 Global Digital, realizado pela We Are Social em parceria com a Hootsuite, o brasileiro passa cerca de três horas e meia por dia em redes sociais e nove horas conectado à internet. O usuário médio global, no entanto, costuma passar até seis horas conectado.

Choque de culturas

Os millennials, enquanto a primeira geração que passou pela transição digital, são os que mais cobram pelo “retorno sobre o investimento” em suas atividades digitais. De acordo com Michel Alcoforado, isto acontece porque esta faixa demográfica viu sua produtividade cair drasticamente na última década.

Interface do novo sistema operacional da Apple, o iOS 12. Foto: Divulgação

“Entramos de cabeça nas redes sociais sem saber direito as consequências que teriam. Agora, quando comparamos o tempo que estes jovens gastavam com a tecnologia quando eram mais novos e o tempo que dedicam agora, entendemos porque eles tendem a se preocupar tanto com os limites desse uso”, avalia.

Para a geração Z, no entanto, ele acredita que este tipo de mecanismo de controle sobre a experiência digital tende a ser percebido como algo intrusivo. “Este tipo de alerta segue uma lógica millennial de que ainda existe uma certa separação entre trabalho, casa e lazer. Já para a geração Z, este tipo de separação não tem sentido”, justifica.

De acordo com o Instagram, as novas ferramentas implementadas pela plataforma são um primeiro passo para ajudar as pessoas a encontrar um equilíbrio. “Queremos que o tempo que as pessoas passam no Instagram e no Facebook seja positivo, inspirador e com propósito. Nossa ideia é que essas ferramentas deem às pessoas maior controle sobre a experiência nas plataformas, para que elas possam decidir a melhor maneira de gerenciar seu tempo conectadas”, disse o Instagram em comunicado ao M&M.

Nplan Marketing

 

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